Está sempre presente um olhar muito pessoal, um pensamento, uma ideia, uma opinião ou uma critica, sempre que espreito através do visor da máquina fotográfica.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Festas de Nª Srª da Boa Viagem II
Constância.
Fim-de-semana da Páscoa com o dia alto na segunda-feira seguinte, Feriado Municipal (consultar programa em www.cm-constancia.pt ).
Neste dia estou completamente exausto.
Terminaram as Cerimónias da Semana Santa no Sardoal, onde já fiz a cobertura fotográfica e onde já tenho muito mais de mil fotografias, já pensadas para a promoção das cerimónias para o ano seguinte (depois de muitos quilómetros a pé, ruas acima e ruas abaixo).
As cerimónias no Sardoal acabam no domingo de Páscoa.
As Festas de Constância funcionam para mim, como o recuperar do fôlego.
No dia seguinte, segunda-feira, lá estou eu, em Constância, carregado com alguns quilos de equipamento às costas, mas fresco como uma alface, como diz o povo.
É em Constância que recupero as energias.
Aqui estou a fotografar completamente livre, sem preocupações com nada, estando apenas eu o que me rodeia.
Não reconheço ninguém. Só eu e o visor em constante diálogo e “luta” com o cérebro.
É esse o meu mundo. E é nesse mundo que me sinto bem e encontro o meu equilíbrio.
Partilho agora algumas imagens dos últimos três anos, numa perspectiva mais divertida e em que cada momento reflecte um outro momento da festa, que muitos poucos se apercebem ou reparam.
Voltarei brevemente com outras abordagens desta festa.
Espero que gostem.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Arquivo universal – visita obrigatória
Sem entrar em considerações teóricas e filosóficas sobre os termos “arquivo” ou “documento”, objecto principal desta exposição, o que encontrei hoje no Museu Colecção Berardo (ou CCB como ainda gosto de lhe chamar…) constituiu uma autêntica surpresa.
E das boas.
Organizada pelo Museu d’Art Contemporani de Barcelona e co-produzida com o Museu Colecção Berardo, esta mostra faculta-nos o acesso a verdadeiros documentos fotográficos (e não só) desde o nascimento da fotografia até á actualidade na perspectiva de “documento”.
Quer desde 1907, através do trabalho do fotógrafo-activista Lewis Hine sobre o trabalho infantil, ou passando pelo grande projecto da década de 1930 da Farm Security Administration (FSA) sobre os efeitos da grande depressão dos EUA, ou ainda do que nos deixou a Photo League, passando pela importância da revista LIFE, está lá tudo.
Inclusivé a “visão” do lado soviético, através de Rodchenko e Kushner por exemplo..
A exposição está constituída num “avança e volta atrás no tempo”.
Mostras de como eram feitas as “grandes exposições fotográficas” e em que moldes ou com que objectivos (divulgação, denúncia, manipulação, etc) como o caso da “Mostra Della Rivoluzione Fascista” em Roma, no ano de 1932 ou como talvez a mais célebre e importante exposição de sempre apresentada no MoMA, em 1955, The Family of Man, estão lá documentadas de forma magistral.
Mas encontramos muito mais. Trabalhos de Robert Frank, Margaret Mead, August Sander, Matthew Brady, O’Sullivan, Atget, Walker Evans, Lange, Abbott, Eugéne Smith entre tantos outros.
E claro que encontramos os trabalhos de Bernd e Hilda Becher, percussores da “escola alemã” e que influenciou (e ainda hoje influencia) o trabalho de muitos autores como Candida Hofer, Thomas Struth ou Andreas Gursky (este talvez até o que mais se distanciou).
Temos também uma pequena panorâmica de Portugal e Espanha no meio disto tudo.
Claro que “Lisboa, cidade triste, cidade alegre” de Vitor Palla e Costa Martins marca uma presença indiscutível.
E para terminar, é uma sensação única levantar as cortinas pretas que protegem da luz ambiente para ver as primeiras fotos de uma guerra, a Guerra da Crimeia.
São de 1855 e foram captadas pelo primeiro fotógrafo que “registou” uma guerra, Roger Fenton.
Todos os documentos são originais e genuínos.
Exposição indispensável para quem gosta de fotografia.
Até 3 de Maio. Vá com tempo, pode demorar!
Ah, e muito importante: pode fotografar, sem flash, claro.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Compre em Portugal
Estava interessado em adquirir um calibrador de monitores da Datacolor, o Spider 3 pro.
Investiguei na net os sítios e os preços mais convenientes.
Por questões de consciência nacionalista, verifiquei todos os sítios nacionais e respectivos preços.
E como também faço da fotografia uma segunda profissão solicitei via e-mail, ao representante nacional daquela marca, se haveria venda directa a profissionais, com algumas vantagens de preço, claro. E fi-lo no dia 13 de Março. E nada.
Avancei alguns dias depois para um sítio inglês que me propunha o equipamento a um preço inferior ao praticado cá, já com os portes de correio incluídos, claro. E fiz a encomenda.
Já o recebi e já o utilizei.
Foi pois, com grande espanto que recebi hoje, dia 30 de Março, um e-mail do representante da marca com o seguinte:
Sr. Paulo Sousa,
Desde já os nossos agradecimentos por estar interessado em adquirir produtos DATACOLOR.
Uma vez que é fotógrafo profissional podemos vender-lhe directamente o produto em questão. O preço de tabela para o Spyder3 Pro é 125,00€ + IVA.
Para mais informações não hesite em contactar-nos.
E respondi:
Em primeiro lugar agradeço a resposta, pois já não estava à espera.
É que passaram cerca de 17 dias...
Faz-me cada vez mais confusão esta passividade lusa.
Queremos comprar cá mas com esta atitude... claro que é de desesperar.
Depois de algumas pesquisas, acabei por mandar vir o equipamento de Inglaterra, (já o tenho e já o utilizei) bem mais barato que o que o representante em Portugal me vende, directamente, por ser profissional.
E por falar em representante, o preço que me é proposto é igual e até em alguns caso, superior ao praticado nas lojas de venda ao público que consultei, também em Portugal.
Não admira pois, que cada vez mais nos voltemos para fora (…).
domingo, 29 de março de 2009
Festas de Nª Srª da Boa Viagem
Estamos a cerca de duas semanas das Festas de Nª Srª da Boa Viagem, em Constância.
Não me lembro da última vez que não passei o dia de segunda-feira a seguir à Páscoa (Feriado Municipal em Constância) a documentar fotográficamente aquele dia.
Hoje mostro apenas imagens do ambiente dos preparativos para a realização da Missa que antecede a procissão e a benção dos barcos.
Estas fotos são todas de 2008.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Deficiente é o nosso País…
É extraordinário que tenhamos a mais avançada Assembleia da República do mundo, em termos tecnológicos, claro.
Mas para que serve aquilo tudo se na essência, continuamos na cauda da Europa (e do mundo) em tudo o que é “indicador de desenvolvimento”?
A imagem claro, aquilo que Sócrates privilegia.
A imagem que passamos para os outros.
A imagem que nos coloca, teoricamente, ao nível dos melhores.
Sempre a maldita da imagem.
Até a iluminação foi pensada para as televisões…
E o resto?
E as ideias e as politicas, será que interessam? Claro que não.
É a imagem que conta. Apenas a imagem.
É como as argolas ou as asas das marcas dos automóveis (que muitos possuidores nem sequer sabem o que significam) e que indicam que temos… posses!
E posses é igual a qualidade de vida, emprego estável e bem remunerado… etc.
Mas será?
Será mesmo que temos essas posses?
Claro que temos, nem que para pagar as argolas ou as asas vá todo o ordenado chorudo de um elemento do agregado familiar…
É que pagar a imagem… custa!
Por falar em imagem e parlamento achei interessante a inclusão da plataforma para permitir o acesso a deficientes… ao local da palavra.
Coisa inédita claro, para a imagem.
Não tenho registo que alguma vez algum deficiente tenha estado naquele lugar, a Assembleia.
Para já a imagem de um deficiente não se coaduna com o aumento de votos…
Depois porque um deputado que por acaso do destino fique na condição de deficiente, abandonará certamente, o plenário.
Para já dá má imagem e claro que esse representante do povo logo arranjará uma reforma que lhe possa permitir não ser obrigado a ir, todos os dias, para a Assembleia.
Será uma chatice. O estacionamento, a deslocação, a imagem, as condições de trabalho, etc.
A real deficiência do nosso país está de facto, no governo e no parlamento.
Mas não serão precisas plataformas mecânicas.
Serão precisas sim plataformas inteligentes.
Entretanto, aqui, no Sardoal por exemplo, o meu amigo João e tantos outros “Joões” por esse país fora, não conseguem andar 100 metros, fora do automóvel, para ir a serviço público ou a um bar porque “este país não está praparado e pensado para deficientes…”
(Obrigado ao meu amigo João Agudo por “posar” para estas fotos)
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