terça-feira, 7 de abril de 2009

A Semana Santa no Sardoal

Gosto muito do Sardoal. Nasci e trabalho cá e sempre contribuí para o engrandecimento cultural desta terra. Faço parte do GETAS quase desde a sua origem, vai para bem mais de 20 anos. Muitas horas ocupadas em prol do desenvolvimento cultural e artístico deste concelho (e não, não fui o único). E foi aqui que comecei a fazer as minhas primeiras fotografias de reportagem, primeiro com uma máquina emprestada pelo amigo Luís Gonçalves (uma Yashica de telemetro) e mais tarde com uma Zenith comprada em segunda mão. O GETAS comprou entretanto um laboratório a preto e branco ao Sr Jorge. Era tudo artesanal (o ampliador tinha sido construído por ele). Tinha de esperar que o pessoal fosse todo embora da sede do GETAS, o "Atrium", para que pudesse montar tudo e ampliar as fotos para o boletim com mesmo nome. Vendo agora a coisa de longe tenho, em registo fotográfico, mais de 23 anos de história e cultura sardoalense. E Semanas Santas estão cá muitas, devidamente documentadas, a preto e branco e a cores, em negativo e agora em digital. Mas agora deixo-vos com algumas imagens de anos recentes. O trabalho de digitalização está a fazer-se aos poucos. Estas imagens foram escolhidas aleatóriamente de entre os três discos rigidos ( 2 terabites) que tenho aqui ao lado e que constituem o meu arquivo digital mais recente.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Festas de Nª Srª da Boa Viagem II

Constância. Fim-de-semana da Páscoa com o dia alto na segunda-feira seguinte, Feriado Municipal (consultar programa em www.cm-constancia.pt ). Neste dia estou completamente exausto. Terminaram as Cerimónias da Semana Santa no Sardoal, onde já fiz a cobertura fotográfica e onde já tenho muito mais de mil fotografias, já pensadas para a promoção das cerimónias para o ano seguinte (depois de muitos quilómetros a pé, ruas acima e ruas abaixo). As cerimónias no Sardoal acabam no domingo de Páscoa. As Festas de Constância funcionam para mim, como o recuperar do fôlego. No dia seguinte, segunda-feira, lá estou eu, em Constância, carregado com alguns quilos de equipamento às costas, mas fresco como uma alface, como diz o povo. É em Constância que recupero as energias. Aqui estou a fotografar completamente livre, sem preocupações com nada, estando apenas eu o que me rodeia. Não reconheço ninguém. Só eu e o visor em constante diálogo e “luta” com o cérebro. É esse o meu mundo. E é nesse mundo que me sinto bem e encontro o meu equilíbrio. Partilho agora algumas imagens dos últimos três anos, numa perspectiva mais divertida e em que cada momento reflecte um outro momento da festa, que muitos poucos se apercebem ou reparam. Voltarei brevemente com outras abordagens desta festa. Espero que gostem.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Arquivo universal – visita obrigatória

Sem entrar em considerações teóricas e filosóficas sobre os termos “arquivo” ou “documento”, objecto principal desta exposição, o que encontrei hoje no Museu Colecção Berardo (ou CCB como ainda gosto de lhe chamar…) constituiu uma autêntica surpresa. E das boas. Organizada pelo Museu d’Art Contemporani de Barcelona e co-produzida com o Museu Colecção Berardo, esta mostra faculta-nos o acesso a verdadeiros documentos fotográficos (e não só) desde o nascimento da fotografia até á actualidade na perspectiva de “documento”. Quer desde 1907, através do trabalho do fotógrafo-activista Lewis Hine sobre o trabalho infantil, ou passando pelo grande projecto da década de 1930 da Farm Security Administration (FSA) sobre os efeitos da grande depressão dos EUA, ou ainda do que nos deixou a Photo League, passando pela importância da revista LIFE, está lá tudo. Inclusivé a “visão” do lado soviético, através de Rodchenko e Kushner por exemplo.. A exposição está constituída num “avança e volta atrás no tempo”. Mostras de como eram feitas as “grandes exposições fotográficas” e em que moldes ou com que objectivos (divulgação, denúncia, manipulação, etc) como o caso da “Mostra Della Rivoluzione Fascista” em Roma, no ano de 1932 ou como talvez a mais célebre e importante exposição de sempre apresentada no MoMA, em 1955, The Family of Man, estão lá documentadas de forma magistral. Mas encontramos muito mais. Trabalhos de Robert Frank, Margaret Mead, August Sander, Matthew Brady, O’Sullivan, Atget, Walker Evans, Lange, Abbott, Eugéne Smith entre tantos outros. E claro que encontramos os trabalhos de Bernd e Hilda Becher, percussores da “escola alemã” e que influenciou (e ainda hoje influencia) o trabalho de muitos autores como Candida Hofer, Thomas Struth ou Andreas Gursky (este talvez até o que mais se distanciou). Temos também uma pequena panorâmica de Portugal e Espanha no meio disto tudo. Claro que “Lisboa, cidade triste, cidade alegre” de Vitor Palla e Costa Martins marca uma presença indiscutível. E para terminar, é uma sensação única levantar as cortinas pretas que protegem da luz ambiente para ver as primeiras fotos de uma guerra, a Guerra da Crimeia. São de 1855 e foram captadas pelo primeiro fotógrafo que “registou” uma guerra, Roger Fenton. Todos os documentos são originais e genuínos. Exposição indispensável para quem gosta de fotografia. Até 3 de Maio. Vá com tempo, pode demorar! Ah, e muito importante: pode fotografar, sem flash, claro.