segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A linha da vida

Fim de semana agitado, este que passou.
Assisti ao florescer e cintilar de uma estrela, em Abrantes, na noite de sexta-feira.
Falo da promissora Rita Red Shoes.
Sábado assisto e registo fotográficamente a "morte" do BAR PURO do amigo David, no Sardoal.
Foram 19 anos!...
Na madrugada de domingo, o Amândio deixa-nos!
...

Deixo-vos aqui alguns apontamentos da parte mais animadora porque a outra parte, essa terei tempo de vos mostrar.

Lembro-me de imeditado de António Variações e do seu "Quero é viver"

vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer











quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Deolinda... de intervenção!

Fim de semana passado. Cascais, Sintra e Lisboa.
A noite de sábado estava reservada para o Coliseu dos Recreios.
Aguardava há várias semanas Deolinda ao vivo, para a consagração.

Quando entrei no coliseu fiquei de pé atrás. Muitas câmaras de vídeo, luzes acesas da plateia... o espectáculo ia ser gravado.
Não gostei disso.
Não tinha sido informado. As luzes acesas da plateia incomodam e dão um ar artificial á coisa.
Não há magia. Não há "privacidade".
Não gosto disso.
Um espectáculo ao vivo não é a mesma coisa que um espectáculo de televisão com gente a assistir. Eu não ia ver Deolinda ao vivo. Ia ver uma encenação para televisão.

Entendo que um espectáculo, ao ser registado em vídeo, deverá sê-lo como registo natural de um concerto e não como um espectáculo "feito" para tal.
A menos que pague um bilhete e seja informado disso na altura.
E tinha razão. Deolinda fez um espectáculo fora do seu registo normal, mais rápido, com Ana Bacalhau a "debitar" as letras sem grande sentido.
"Um contra o outro" foi sintomático.
Mal se percebiam as palavras tal o ritmo imposto.
Esta música merece ser desfrutada com a calma do disco.

Mas nem tudo foi mau.
A escolha dos convidados foi genial e conseguiu arrepiar-me e afastar-me por momentos, da encenação.
Pena também que muitos pseudo-fãs interrompessem sistematicamente o espectáculo com palmas e assobios. Sim que Deolinda também é para saborear, ouvindo apenas.

Mas o melhor veio no fim, no último encore.
QUE PARVA QUE EU SOU.
Uma canção de intervenção. Como tinha saudades...
Deixo aqui a letra, um vídeo amador e um link para o jornal Expresso que sintetiza isto muito melhor do que eu faria.
Só por isso valeu a pena. Parabéns Deolinda.



Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição

Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar,

já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!


E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.
Sou da geração ‘casinha dos pais’,
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou

Filhos, maridos, estou sempre a adiar
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,

que mundo tão parvo
onde para ser escravo é preciso estudar.

http://aeiou.expresso.pt/parvo-e-quem-nao-ve=f629335

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Guia da Boa Esposa

Na rede, estas imagens aparecem com várias origens e vários propósitos.
Uns dizem fazer parte de um folheto espanhol de 1953. Outros afirmam pertencer a uma série mexicana de TV.
Seja qual for a origem estas imagens circulam por aí e são de um suposto passado recente.
Mas com o atraso que Portugal tem em relação ao resto da Europa como muitos afirmam, será que ainda conseguiríamos ver alguns destes “quadros” nas mulheres (esposas) da nossa sociedade actual?
Eu quero acreditar que não mas cada um que pense por si.
Mas também poderemos inverter as coisas.
Este manual poderá ser também o Guia do Bom Marido?
Quantos homens ainda se revêem nestes quadros?















Mas estejam descansados os maridos e descasadas as esposas que estas imagens pertencem mesmo a uma série mexicana “Las Aparicio”, com o subtítulo, Atrás de uma grande mulher…
Podem ver aqui: www.lasaparicio.com
Qualquer semelhança com a realidade é mesmo pura coincidência!...




sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Morreste-me

A fotografia não tem tabus. Não pode ter.
Publiquei aqui há pouco tempo um texto e uma fotografia em que a temática é a morte.
Por um bocado de terra é uma sátira ao dinheiro.
À forma como se pode empregar esse dinheiro: comprando uma sepultura, neste caso, a nossa própria sepultura.
Acredito que incomode alguns e deixe outros a questionar-se sobre o meu estado emocional. Aconteceu, basta ver os comentários à fotografia no site onde está, o 1000imagens.
Agora encontrei esta iniciativa.
Um simpósio e um Concurso de Fotografia sobre o LUTO.
Não quis deixar de o divulgar aqui. É que isto anda tudo ligado. Lembro-me por exemplo que Chamusca há alguns anos também realizou o “Congresso sobre a Morte”.
Isto tudo porque há dias, uma amiga dizia-me no meu (nosso) local de trabalho, que era uma atenta visitante deste blogue porque gostava muito das minhas fotografias. Mas logo de seguida disse: excepto, claro, aquelas do cemitério tiradas ao nascer do sol.
Dessas não gosto muito. Tratam da morte.
Expliquei que o objectivo era apenas tratar deste tema sem preconceitos e que “o sol quando nasce não é mesmo para todos”.





Deixaste-te ficar em tudo. Sobrepostos na mágoa indiferente deste mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo isto é agora pouco para te conter. Agora, és o rio e as margens e a nascente; és o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a sua pele.

José Luís Peixoto, Morreste-me


"Morreste-Me" - Exposição de Fotografia sobre o Luto é um concurso de fotografia inserido no Simpósio Luto a realizar nos dias 17 e 18 de Março de 2011 nos Hospitais da Universidade de Coimbra e organizado por: AHSC – Associação de Humanização em Saúde de Coimbra, SAER – Serviço de Assistência Espiritual e Religiosa dos HUC, Associação dos Médicos Católicos de Coimbra, Associação dos Enfermeiros Católicos de Coimbra, Comissão Diocesana da Pastoral da Saúde, Coordenação das Capelanias Hospitalares da Diocese de Coimbra, SPES Saúde – Serviço Pastoral do Ensino Superior na vertente da Saúde.

Links


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Materiais (mesmo) diversos

Quando li a noticia é que me lembrei que também colaborei no projecto MATERIAIS DIVERSOS, de Tiago Guedes que ocorreu aqui ao lado, em Alcanena e que mereceu o melhor reconhecimento pela critica nacional.
É que o O Centro Pompidou de Metz, em Paris, dedicou um programa a este coreógrafo português.
Entre 16 e 20 de Janeiro, Tiago Guedes apresentou três espectáculos entre os quais, "Materiais Diversos".
Diz a noticia do Expresso que Tiago Guedes surge... no âmbito de um programa dedicado a mergulhar no universo de artistas de relevância mundial... e que convida os espectadores a contactar directamente com os autores.
Durante a semana vou colocar aqui fotografias captadas em Minde e que serviram para esta edição especial do PAPELPAREDE do Núcleo do Médio Tejo da Ordem dos Arquitectos, que desta maneira se associou ao projecto.

(Clique nas fotos para ampliar)









sábado, 15 de janeiro de 2011

A árvore que dava sonhos

Naquela tarde, o velho Artur tinha sido confrontado com a pergunta que Ana e António lhe tinham colocado.
Os seus 95 anos adivinhavam uma solução sensata, madura e ponderada e que pudesse funcionar como a verdade e o alento que eles tanto procuravam.
Com cerca de metade da idade de Artur, apenas queriam saber a sua opinião sobre o caminho que ambos tinham proposto calcorrear, tantas eram as suas dúvidas.
O velho Artur depois de os ouvir, apontou para uma velha e escura árvore situada ao fundo do quintal e perguntou-lhes:
- Vêem aquela árvore?
- Sim - disseram eles – é uma árvore esquisita e diferente acrescentou Ana.
- Sim. Diferente, reforçou Artur. Dá frutos diferentes.
- Diferentes como, perguntou António.
- Dá frutos que só acreditando neles é que vemos que é possível existirem. É uma árvore de sonhos!
Os dois entreolharam-se, deram as mãos e deixando transparecer a sua admiração António perguntou:
- E como sabemos se esses sonhos…
- Basta pensarem nos vossos sonhos e olhar para ela, interrompeu Artur. Se virem aquilo que sonharam é porque vocês acreditam em vós próprios e não precisam da ajuda e da opinião de ninguém.
Ana e António foram até á arvore e saíram logo a correr, despedindo-se de Artur com grande alegria.
Entretanto Artur com a ajuda da frágil bengala que o acompanha desde a sua juventude foi até junto da árvore e sonhou com o brinquedo que tanto quis ter quando era criança!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Por um bocado de terra

Nascemos, crescemos, aprendemos a viver,
trabalhamos, trabalhamos, trabalhamos!
Todo o dia é passado numa correria e...
quando damos por isso, já é tarde, ou já não há tempo...
Compramos, vendemos, trocamos e investimos.
Esquecemos os problemas, as mágoas e as desilusões.
Por instantes vivemos!
Vivemos e ansiamos por chegar a casa e poder finalmente descansar.
Voltamos por fim a ser nós, por mais uns breves minutos.

Esfalfamo-nos toda a vida a lutar pelos nossos desejos,
pelos nossos sonhos.
Mas por fim podemos dizer que fica algo.

Sim. Tanto trabalho mas aquele bocadinho de terra, é nosso!
Está garantido!

Já está comprado!
Ninguém nos tira!...


Passei pelo 1000imagens.com onde tenho galeria fotográfica e encontrei-o com um ar novo, mais jovem. Gostei.
Andei a rever algumas fotografias de que gosto muito.
Parei aqui nesta foto talvez por ser daquelas que me deu muito prazer fazer, enquanto era assaltado pelo pensamento que descrevi.
Porquê colocá-la aqui e agora?
Não sei, algo me fez relembrar o quanto esta vida é passageira... 

domingo, 9 de janeiro de 2011

Viagens 3

Volto ás viagens e com mais umas quantas fotografias nos Açores.
A fotografia de viagem não tem de ficar colada á fotografia tipo dos postais ilustrados que conhecemos e que queremos "repetir" para trazer para casa e mostar que estivémos lá.
Há uma infinidade de outras coisas que podemos explorar. A cor, o grafismo, a calmaria, a paisagem, o nosso estado de espírito...
E, a principal forma de o fazer é lembrar que estamos a andar em frente e que, de vez em quando, podemos também olhar para trás...
As duas primeiras fotografias são o exemplo claro deste pensamento.
A primeira, foi tirada no sentido da viagem e a outra foi feita dois minutos depois, quando olhava para trás.
Qual a melhor? Não sei. Ambas têm a sua identidade e a sua beleza.